terça-feira, 14 de outubro de 2008

O Toque Concentrado da Beatrix.



Por Beetholven Cunha

Uma semana de expectativa na escola de música!
O corre-corre por ingressos para assistir a pianista alemã Beatrix Klein (25 anos) foi exaustivo. Com muita luta o coordenador pedagógico conseguiu apenas um ingresso para descontento da maioria dos alunos.

Cheguei ao teatro da assembléia Legislativa (26 de setembro de 2008) por volta das 18 horas e 30 minutos. Os ouvintes aglomeravam-se em pé na recepção. Um dos professores de música aparece com dois ingressos dizendo não saber o que fazer. Fiquei irado ao lembrar dos alunos, mas não demonstrei.

Abriram-se as portas faltando cinco minutos para o concerto. Enquanto nos acomodávamos em nossos lugares, ouvimos de tudo para testar o som ( rock, samba, etc.) menos música erudita. Retorcia-me na cadeira como um sapo em contato com o sal, mas suportei.

As apresentações foram feitas e em seguida ela subiu ao palco cumprimentando ao público (como fez várias vezes durante o concerto). Linda, alta, olhos claros lembrando até uma escultura da Grécia antiga. Com um talento fenomenal iniciou o concerto. Beethoven foi magistralmente divino. Villa Lobos não tinha a mesma ginga que estamos habituados a ouvir, porém era Villa Lobos.

Temos que reconhecer que tratava-se de uma excelente profissional em palco, pois transmitiu sua mensagem, mesmo com um piano de “teclas viscosas” e um jogo de luzes coloridas que quase atrapalhou de forma impertinente sua leitura (só faltou o gelo seco). Enquanto ouvia seu concerto, ponderei o seguinte:
- “Creio que comprar um bom piano custaria bem menos aos cofres públicos que um automóvel blindado para assessores (o primeiro com certeza seria mais útil)”.

O toque concentrado de Beatrix Klein continuou banqueteando um público despreparado para concerto com obras de grandes mestres como Mozart, Chopin e Milhaud.

Ao fim do concerto, comentários e elogios entusiasmados para a pianista de Bonn combinavam-se as críticas feitas sobre a estrutura precária para recebê-la. Conversei um pouco com Beatrix ao fim do concerto, más foi rápido pois muitos fãs queriam vê-la.

Gostaria de ouvir novamente Beatrix em Teresina, só que em outras condições porque se for nas mesmas em que ela tocou, prefiro ouvi-la em outra cidade, outro estado, outro país ou se as condições não permitirem, me contentarei com o CD.

sábado, 11 de outubro de 2008

Foi 16 de agosto em 2 de outubro! (?)


Por Beetholven Cunha.


Em meios a tantos problemas corriqueiros, queremos nos impor alguns luxos, e o escolhido do dia foi ouvir uma boa música. Ah, este dia! Um dia amargo em que os colapsos em cadeia da economia americana refletiram sobre a economia mundial e por mais que eu quisesse ser poupado por ser um sul-americano, o mundo aos poucos vem sofrendo rupturas com uma economia decadente para que venha a acontecer (quem sabe?) mudanças bruscas encaminhadas para uma nova idéia de convivência humana sociável.

Escrevi tudo isso apenas para informar que meu dinheiro não caiu hoje na conta, motivada pela greve dos bancários.Não me aborreci, saí com minha família para assistir ao concerto de estréia da banda sinfônica municipal (denominada 16 de Agosto) direcionando-me ao distante Teatro Municipal João Paulo II. No caminho o nosso carro deu seu sinal de sede (a famosa luz laranja indicadora déspota do tanque vazio). Não me aborreci, todavia preocupei-me e mediante a situação, resolvi estacionar no caixa eletrônico orando para que houvesse algum dinheiro lá. A oração foi atendida e peguei parte da mixaria e (como qualquer um que fica doido quando pega em dinheiro) resolvi mudar de idéia em relação ao tanque e fui ao concerto com ele quase nas últimas.

Nas capitais do mundo, por volta das dezoito horas, o transito torna-se algo terrivelmente desastroso para o sistema nervoso principalmente de alguém com um tanque quase vazio (perigo das idosas e cachorros). Corri como um louco e chegando na rotatória, a paciência começava a despedir-se. Esperei... Esperei... Esperei... Por fim, conseguimos passar.

Chegando no teatro, cumprimentei entusiasmadamente os músicos que estavam impecavelmente alinhados. Um entusiasmo combinado com tenção pairava quase que densamente no ar. Lembrei-me das tantas apresentações que fiz e sentia este “olor”. Cumprimentei os dois regentes, o mancebo com o entusiasmo e as e as inseguranças do viço e o ancião com suas características dissemelhantes ao jovem.

O concerto deu início!
O repertório erudito foi bem executado, tendo em vista o nível dos músicos e da corporação em um concerto impropitus, todavia ambicionando um virtuosismo (não alcançado no tempo presente, mais lançado como uma idéia de inclusão social e musicalizadora para públicos futuros).

O público silenciava atônito mediante as desconhecidas melodias executadas na noite de glória dos outrora desconhecidos artistas eruditos.

Como qualquer artista, ouço tal qual o público, contudo minhas circunspecções e anseios, voltavam-se para mais uma (entre tantas) triste realidade de um Brasil volúvel (todo projeto que começa, não continua).

Num discurso interno, bradava retumbante:
- “Oxalá que as políticas partidárias (parafraseando Emmanuel Coelho) tornassem-se políticas sócio-culturais, abrindo mão de rixas, dando lugar a continuidade e engrandecimento à projetos como este que assisto e ouço!”

Muitas coisas ocorreram naquela noite e no dia seguinte (entre tantas, um pé torcido e uma mudança de casa), entretanto não me aborreci, pois o que ficará na memória (espero que por muitos anos) é que fui testemunha audioocular de que FOI 16 DE AGOSTO EM 2 DE OUTUBRO.